Nota da gestão eleita ao DCE da USP
Car@s estudantes,
Nós, da atual gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, “Para Transformar o Tédio em Melodia”, achamos apropriado, antes do que obviamente realizar balanços e projeções sobre o que estamos vivendo politicamente dentro da USP, desejar a você, que está lendo esta carta, e a tod@s nós, que tenhamos um ano de muitas conquistas e aprendizados, e que estas não sejam apenas belas palavras, mas que realmente signifiquem algo para nossas vidas, que realmente possamos construir e conquistar coletivamente nossos sonhos, caminhar em direção às nossas utopias, e que nos muitos desafios e erros que cometemos – porque errar faz parte da jornada -, saiamos mais do que fortalecidos, mas unidos para continuar caminhando.
Reafirmamos o agradecimento aos 2500 votos depositados nas urnas a favor de nossa concepção de DCE, a favor de um movimento estudantil combativo, amplo e democrático. Foram 2500 votos a favor de encarar com coragem o projeto de universidade, de conhecimento e de sociedade que está colocado há anos para a USP, e de debater e lutar por um projeto abandonado há tempos pelos governos paulistas de uma universidade realmente pública e acessível a toda a população.
Mas a tarefa não é fácil. Entramos em 2010 com um jogo político de cartas marcadas: José Serra no governo de São Paulo, que no meio do ano lançará sua candidatura à presidência da República, mas que já está em plena campanha e lançando todos os esforços para que projetos como a Univesp sejam executados a toque de caixa para mostrar serviço; João Grandino Rodas na reitoria da USP, conhecido pela atuação linha-dura na diretoria da São Francisco e nos conselhos dos quais fez parte nessa universidade, que mal anunciada sua escolha já saiu dizendo-se a favor de cobrar mensalidades de estudantes, entre outros disparates. Nesse contexto, não é cabível ao movimento estudantil, que há anos luta por uma universidade aberta a todos e todas e comprometida com a sociedade, não é cabível a nós que nos percamos de nosso foco em debates internos ou em disputas fratricidas; não é cabível que gastemos nossa energia naquilo que não rende frutos para a conquista da universidade que queremos; apenas é cabível, neste momento, nos fortalecermos, pois apenas com um movimento representativo e participativo de fato teremos a força para defender uma USP realmente pública.
E neste ano temos a possibilidade de dar esse passo e ampliar o movimento estudantil na USP. O alto quorum registrado nas últimas eleições demonstrou que os estudantes estão sim interessados no que acontece nessa universidade e no que podemos fazer para melhorá-la. E mais: o fato da maioria absoluta de votos terem sido para chapas que defendem abertamente um projeto de esquerda para a universidade faz jus à história de um movimento que combateu a ditadura militar e o aparato repressivo do Estado, que enfrentou e enfrenta os ataques à educação pública e que luta por uma universidade para tod@s.
A vitória de nossa chapa, “Para transformar o tédio em melodia”, conquistada nas urnas e referendada no Conselho de Centros Acadêmicos (CCA), cuja ata está logo abaixo, representa a recordação dessa memória, a defesa desse projeto, e o ideal não só de uma universidade para tod@s, mas de um movimento estudantil feito por tod@s.
Saudações,
Gestão Melodia
DCE Livre da USP - 2010
