REITORIA CRIMINALIZA REPRESENTANTES DISCENTES: ZAGO QUER REPETIR A PERSEGÇÃO POLÍTICA DA ERA RODAS!

08 de junho de 2015, 23:00

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Na semana passada três representantes discentes (RD) e diretores do DCE, Danilo Santos (EEFE), Marcela Carbone (ECA) e Vanessa Couto (FSP) receberam um documento da reitoria que continha um processo administrativo contra estes. No documento, alega-se que a(o)s RDs haviam, na sessão do Conselho Universitário (CO) do dia 07.04, interrompido professores e o reitor em voz alta, gritando por mais democracia e contra o autoritarismo, impedindo que a sessão prosseguisse e, obrigando Zago a encerrar a sessão.

Primeiramente gostaríamos de colocar o que de fato ocorreu no Conselho Universitário do dia 07.04. Este foi chamado para debater a formação de uma nova estatuinte para a universidade a partir das discussões feitas ano passado de uma forma atropelada e antidemocrática pela reitoria. Não havia, ali, a discussão sobre a bandeira histórica do movimento, uma estatuinte livre, democrática e soberana, a ser elaborada num congresso da universidade, com professores, funcionários e estudantes. Do lado de fora, havia um forte protesto do movimento negro, que exigia que se incluísse a pauta de cotas raciais, o que entendemos como não só legítimo, mas fundamental, pois a USP está extremamente atrasada nesse ponto de vista. Nesse sentido, a postura dos RDs da gestão do DCE foi o de se posicionar ao lado do movimento, questionando tanto a maneira antidemocrática como Zago estava discutindo a estatuinte, como pautando a entrada de representantes do movimento negro no CO para que incluísse esta pauta. Nisso, a postura de Zago foi extremamente autoritária, questionando a legitimidade das revindicações dos RDs e do movimento, criando um clima ruim, inclusive entre o restando do CO. Nesse sentido, graças a ação do Movimento Negro, que protestava do lado de fora e exigia sua entrada, Zago suspendeu a reunião. Isto é, foi a falta de diálogo e democracia do reitor perante ao movimento que acabou com a reunião, não o apelo democrático dos RDs.

 

Entendemos esse processo administrativo como uma clara perseguição política aos RDs que sempre se colocam ao lado do movimento estudantil. Ano passado, Zago já havia gritado e interrompido três RDs mulheres numa sessão, numa clara atitude machista, autoritária e antidemocrática que tentava silenciar mulheres que lutam por uma universidade democrática. A postura de perseguição política dos reitores não é novidade na USP, Rodas fez isso durante toda a sua administração e Zago, que nos primeiros momentos dizia que ia retirar os processos, demonstra que desistiu dessa ideia e resolveu adotar a mesma postura de seu antecessor.

 

Rodas sempre criminalizou o movimento de estudantes e funcionários a partir do código de conduta da ditadura, de 1972. Agora, Zago quer retomar esse absurdo. Como Zago quer falar de democracia e novo estatuto perseguindo estudantes baseado em regras da ditadura?

É impressionante o grau de hipocrisia que Zago têm com os estudantes. Há diversos casos de estupro que foram denunciados, e ao menos um desses casos, de um estudante da medicina, foi comprovado. Porém, em relação a estes absurdos, Zago diz ser necessário “dialogar” e “investigar” antes de realizar qualquer processo administrativo, sindicância ou processo. Por outro lado, aqueles que estão ao lado do movimento social, basta exigir democracia e criticar o autoritarismo de sua figura, que em seguida são criminalizados.

Infelizmente, para além dos estudantes, há também funcionários sendo criminalizados e perseguidos. Zago, por meio dos processos, está tentando enfraquecer o movimento estudantil e dos trabalhadores que o derrotou ano passado, e assim entra na rota de Geraldo Alckimin e vários outros governos que criminalizam a juventude e os trabalhadores por lutarem, num momento em que o país todo vive um cenário de muitas mobilizações contra os cortes de direitos. O movimento estudantil e sindical da USP conhece esse método, pois o enfrentou e combateu fortemente durante a ditadura; e se lá não se deixou ser derrotado não é aqui que será. Seguiremos defendendo a democracia, as cotas raciais, o aumento de investimento em permanência, em suma, uma universidade verdadeiramente pública, de qualidade e democrática.

Para nós, esse processo mancha a história da universidade. Zago, que se dizia o reitor do diálogo, decide por processar os RDs utilizando como base o regimento da USP da época da ditadura militar, o mesmo que diz que os estudantes não podem se manifestar, fazer greves, se organizarem no DCE. E eles faz isso no momento que propõe uma estatuinte para a USP. Que tipo de novo estatuto Zago quer propor? Nem o reitor Rodas, conhecido por criminalizar todo o movimento social da universidade, teve a coragem de silenciar e processar conselheiros da Universidade de São Paulo desta forma, se baseando nos artigos do regimento da USP da época da ditadura militar.

Afirmamos que para nós do DCE da USP esse processo é inaceitável, faremos a luta necessária para o processo não ir adiante e não criminalizar os nossos representantes discentes eleitos pelos estudantes. Vamos denunciar esse caso absurdo e queremos fazer um chamado para todos os centros acadêmicos, DCEs, sindicatos, coletivos, entidades a nos apoiarem nessa luta contra a criminalização dos movimentos.

 

 

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