Nota em repúdio à proposta de fechamento do vão da Geografia/História  

18 de novembro de 2014, 01:41

Compartilhe:

Há alguns meses, tem-se discutido, no interior do Departamento de Geografia, a proposta de fechamento do vão aberto do prédio de Geografia e História, tomando como argumento a necessidade de se aumentar a segurança do prédio, bem como a impossibilidade de se realizar, de maneira íntegra, atividades acadêmicas, único motivo pelo qual o prédio haveria sido concebido, alegam os professores que propõem o fechamento.

O prédio, inaugurado em 1968, teve sua arquitetura pensada para ser um local da expressão das liberdades, local no qual a ditadura não poderia reprimir as manifestações de estudantes, trabalhadores ou professores que se movimentavam pela universidade. De lá para cá, o vão da geografia e história foi palco de inúmeras e importantíssimas mobilizações e greves das três categorias, muitas delas responsáveis por evitar a implantação de diversos projetos excludentes e segregadores por parte da reitoria, sendo palco de importantes momentos políticos vividos pela universidade.

Hoje, a universidade vive uma grande e complexa crise financeira, que se expressa na grande piora dos serviços oferecidos, com cortes de bolsas, tentativa de desvinculação dos hospitais universitários, congelamento de salários de professores e trabalhadores, desvinculação das bolsas de auxílio, entre diversas outras medidas que colocam em xeque o caráter público da universidade, assim como sua autonomia.

É neste cenário, de tentativa de desmonte da universidade, que o fechamento do vão livre da geografia e história se coloca. Diante da crise financeira, a saída proposta pela reitoria é que a universidade seja cada vez mais excludente para a população de fora, atingindo, principalmente, os setores mais oprimidos da sociedade, negrxs, mulheres e LGBTTs.

Entendemos que a solução para os problemas apresentados está na abertura da universidade para a população, seja na abertura física da universidade aos finais de semana, seja com programas efetivos de acesso, com cotas raciais e sociais, e permanência estudantil, com mais vagas no CRUSP e melhores bolsas estudantis, para que a universidade seja efetivamente pública. Além disso, lutamos por um plano alternativo de segurança, no qual haja uma guarda universitária para a proteção de pessoas, não só de patrimônio; com o aumento do número de circulares; com a poda das árvores; com maior iluminação; e com uma guarda feminina treinada para lidar especificamente com casos de machismo dentro do campus.

Por tais motivos, por espaços nos quais possamos ser críticos à sociedade na qual vivemos, pela defesa e autonomia da organização política e de festas dos estudantes, nós, da gestão “Para Virar a USP do Avesso”, nos posicionamos contrários ao projeto de fechamento do vão do prédio de geografia e história.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *