Entenda o termo de acordo da reitoria e a posição do DCE

02 de novembro de 2013, 05:24

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Na última quinta-feira (31), nossa greve teve um fato político. A reunião de negociação resultou em conquistas concretas para os estudantes. Hoje, muitos órgãos da imprensa noticiam as mudanças históricas pelas quais a USP pode passar graças à nossa luta. Quatro anos depois, a gestão de Rodas, que parecia invencível, sofre uma derrota. Nossa greve ganhou a opinião pública, saiu às ruas, mobilizou a universidade e demonstrou sua importância. Agora, além de tudo, tem conquistas.

Nesse momento, é natural que muitos estudantes fiquem confusos. O objetivo deste texto é esclarecer algumas dúvidas.

Quais são as conquistas?

O termo de acordo proposto pela reitoria pode ser lido aqui (http://www.usp.br/imprensa/?p=34519). Arrancamos vitórias muito importantes e que podem mudar a vida de milhares de estudantes da USP:

1) 25 anos depois, a USP abrirá um processo de estatuinte livre, autônoma e democrática, pautado pela participação de estudantes, funcionários e professores em um congresso que acontecerá em maio de 2014. Dentro da estatuinte, a universidade será obrigada a pautar o tema das eleições diretas para reitor, diretores de unidade e chefes de departamento.

2) Os blocos K e L serão devolvidos para moradia estudantil. Serão quase 500 novas vagas no CRUSP.

3) Os espaços de vivência do DCE e da APG também serão entregues de volta às entidades.

4) As bolsas estudantis serão, daqui em diante, reajustadas anualmente de acordo com a porcentagem de reajuste salarial de professores e funcionários.

5) Até 2014, todos os bandejões da USP terão café da manhã, almoço e jantar nos fins de semana, e novos postos de recarga de bilhete serão construídos na Física e na Química.

6) A universidade fará frente à SPTRANS, junto aos estudantes, para que se aumente a frota de circulares na USP e voltem as linhas extintas (177P/10, 107T/10, 7725).

7) Interior: serão formadas comissões paritárias nos campi para que as demandas de permanência sejam resolvidas ainda em 2014, com a reformulação dos planos diretores.

8) A universidade abrirá processo democrático de discussão do modelo de segurança da USP, a fim de contemplar todas as singularidades do tema, inclusive a violência contra a mulher.

9) O Núcleo de Consciência Negra não será retirado de seu local atual.

10) Está indicado a reposição de aulas ao término da greve, sem cancelamento de semestre letivo.

11) Mesmo com o fim da greve, será aberta uma mesa de negociação permanente entre a universidade e os estudantes, para que nossas demandas sigam sendo atendidas.

As conquistas já estão garantidas?

Ainda não. A reitoria é esperta e, num processo de negociação, só fecha o acordo mediante a desocupação da reitoria e o fim da greve. Os estudantes, também, na última assembleia, ainda não assinaram o termo de acordo, pois querem avançar nos eixos de nosso movimento. Na opinião do DCE, o principal ponto a avançar é a respeito da punição. Exigimos que haja garantia de que nenhum ativista do movimento será punido por conta da greve e da ocupação atual, o que ainda não foi firmado claramente pela reitoria.

Como um movimento pode vencer?

Na opinião do DCE, a vitória de um movimento é ligada a um ponto principal: nossa mobilização. Somente por isso, arrancamos conquistas de uma reitoria que é claramente autoritária e antidemocrática. Daqui para frente, acreditamos que devemos nos mobilizar ainda mais. A luta por democracia na USP não começou em 2013. Vem desde muito tempo e, temos certeza, continuará com toda força ainda neste ano e principalmente em 2014.

Para isso, é necessário refletir sobre nossas táticas. Algumas pessoas acreditam que continuar a mobilização é sinônimo de continuar a greve e a ocupação da reitoria. Somente isso não é verdade. A greve e a ocupação são ferramentas que nosso movimento se utiliza para crescer. No dia 01 de outubro, foram estes fatos que nos levaram a massificar a luta. Durante todo mês, foram nossas greves, piquetes e a ocupação que obrigaram a reitoria a retroceder, negociar e ceder.

Mas agora temos um risco: se não consolidamos nossas vitórias, no próximo período podemos retroceder. Que ninguém duvide: com a proximidade das férias, se Rodas vir nosso movimento se enfraquecendo e se isolando, mesmo as conquistas que já alcançamos podem ser colocadas sob risco. Em mobilizações políticas, é assim: a correlação de forças determina a capacidade de nossas conquistas.

Por isso, o DCE acredita que a grande tarefa de nosso movimento, na atual conjuntura, é consolidar nossas conquistas. É evidente que nunca saímos de uma greve conquistando tudo o que queremos. Na última greve estudantil, em 2011, por exemplo, não conquistamos nada. Mas isso não quer dizer que não foi uma greve importante. Uma mobilização é importante quando consegue alterar a normalidade, incomodar os donos do poder e colocar os estudantes com maior capacidade de intervenção no período seguinte.

Não podemos subestimar o que estamos alcançando. Um processo de estatuinte no ano que vem, com congresso das três categorias, é a enorme chance que o movimento tem de virar de cabeça para baixo a universidade em 2014, arrancar finalmente as eleições diretas para reitor que, neste ano, infelizmente não conseguimos. Atormentar o novo reitor da USP que será mais uma vez eleito de maneira antidemocrática. Superar os resquícios autoritários dos tempos da ditadura na USP, como o regimento disciplinar de 1972.

Junto com isso, as conquistas de permanência estudantil, além de melhorar a vida dos estudantes, demonstram a todos que a luta e a mobilização valem a pena. Concretizando-as, teremos cada vez mais estudantes dispostos a lutar conosco, o que é fundamental, pois somente com milhares nas ruas conseguimos mudanças.

E então o que fazer?

Os estudantes precisam fazer valer a sua voz. Demonstrar que o movimento estudantil deve ser democrático, expressando a opinião dos que querem avançar. A próxima assembleia geral acontecerá quarta-feira, 06/11, às 18h no vão da História/Geografia. Queremos que, nela, o movimento tome as decisões mais sensatas para ampliar nossa mobilização daqui para frente. Para isso, cada um de nós é importante. Pense: se você não estiver na assembleia, as coisas podem não ser assim.

Evento da Assembleia no Facebook: https://www.facebook.com/events/596854777043506/?ref=5

Até lá, nosso movimento ainda precisa pressionar a reitoria a garantir a ausência de punições. E, com isso, podemos ter uma vitória retumbante em nossa greve de 2013.

Por isso, fique ligado no calendário deliberado na última assembleia geral e, principalmente, esteja na próxima assembleia!

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