Em defesa da democracia no movimento estudantil: nota da gestão do DCE sobre a não realização da assembleia do dia 21/11

21 de novembro de 2013, 23:17

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Em 2013, o movimento estudantil da USP viveu uma mobilização histórica. Depois de muitos anos conseguimos organizar uma greve geral que atingiu mais de 50 cursos e 3 campi da universidade e colocamos na ordem do dia o debate acerca da estrutura de poder da USP.

Infelizmente, todo esse potencial não conseguiu garantir que se concretizasse uma vitória categórica sobre Rodas, o reitor mais antidemocrático da história, e Geraldo Alckmin, governador que tem como política construir uma universidade cada vez mais elitizada e ligada à privatização.

Na opinião da gestão do DCE, isso aconteceu primeiramente por conta da política golpista e repressora da reitoria e do governo. Por meio da via judicial e de reintegração de posse, Rodas desestabilizou o processo de negociação que estava em curso entre a universidade e os estudantes. Optou pela repressão e pela ampliação da violência na universidade, como tem sido praxe em sua gestão.

Entretanto, ao mesmo tempo, consideramos que o movimento não pôde sair vencedor também por conta da atuação inconsequente de um setor do movimento estudantil, que a todo momento trabalhou conscientemente pela desmoralização, esvaziamento e derrota de nossa luta, que foi tão forte ao longo de semanas. No momento mais importante, estes setores ignoraram qualquer tipo de análise das possibilidades reais do movimento avançar, negaram um termo de acordo que seria positivo para o movimento e abriram espaço para a política da reitoria. Como se isso não bastasse, combinaram esta política, desde o início, com a denúncia vazia do DCE e a utilização dos métodos mais antidemocráticos em assembleias e fóruns do movimento. Foi este mesmo setor que, poucos dias após a assembleia de 06/11, em que nosso movimento perdeu a possibilidade de vencer e se enfraqueceu, atacou arbitrariamente o espaço de vivência do DCE, por fora de qualquer fórum do movimento estudantil, de maneira arbitrária e desrespeitosa. Da mesma maneira, desrespeitaram deliberações da Comissão de Segurança da então ocupação da reitoria quanto à preservação do espaço público politicamente ocupado pelo movimento estudantil.

Hoje, 21/11, foi convocada uma nova assembleia geral dos estudantes que, como resultado da política de derrota acima problematizada, não chegou a contar com sequer 150 estudantes.

Nesse cenário a postura da gestão do DCE foi a de defender a democracia de nossos espaços e não compactuar com qualquer decisão tomada de maneira burocrática e pelas costas da maioria dos estudantes. Nas últimas semanas, a grande maioria das assembleias de curso, que reúnem no cômputo total milhares de estudantes, tem deliberado pelo encerramento da greve na USP e pela construção da mobilização no próximo período com outros métodos. Não é possível que assembleias gerais, esvaziadas, passem por cima dessas deliberações. Acreditamos que o movimento estudantil, para ser vitorioso, deve ser construído junto à maioria dos estudantes e os respeitando. Também por isso, no estatuto do DCE, consta como quórum mínimo de assembleia o número de 375 estudantes. Hoje, na assembleia, que estava visivelmente aquém do quórum, um setor do plenário infelizmente não permitiu a contagem do número de estudantes presentes, querendo realizar a assembleia mesmo sem condição para isso.

Nós, da gestão Não Vou Me Adaptar!, somos defensores dos fóruns do movimento estudantil, mas jamais compactuaremos com a prática vanguardista nesses espaços. Por isso, fomos contrários a construir a suposta assembleia que não teria quórum numérico nem político para decidir em nome de todos os estudantes. No lugar disso, chegamos a propor a realização de um espaço de debate político e de acúmulo democrático de pontos de vista. Mas os setores minoritários do movimento estudantil, infelizmente, não aceitaram a proposta, querendo de qualquer maneira fazer daquele espaço um fórum deliberativo. Tal decisão seria arbitrária e autoritária, passando por cima de milhares de estudantes da USP e ignorando a tradição democrática de nosso movimento. Com isso, impediu-se a realização de qualquer discussão, espaço ou fórum naquele momento e, por isso, o DCE se retirou do espaço.

Na nossa opinião, as assembleias devem ser reivindicadas como um espaço democrático, de discussão e decisão das iniciativas de todo o movimento estudantil da USP. Assim, queremos fazer das assembleias um espaço onde todos possam se expressar e decidir democraticamente. O método de alguns setores do movimento, no entanto, desconstruíram essa possibilidade no dia de hoje. Nós, da gestão do DCE, contudo, seguiremos buscando organizar fóruns que sejam de fato democráticos e abertos para o conjunto do movimento e convidamos todos os estudantes para que os construam conosco.

Para nós, a única maneira de fazer nosso movimento avançar é massificando nossas ações em conjunto com a opinião da maioria dos estudantes, para que possamos democratizar radicalmente a USP e avançar em nossas demandas na defesa da universidade publica, gratuita e de qualidade. Somente com ampla participação, nossas assembleias e fóruns podem, de fato, refletir os anseios dos estudantes da universidade, e não ser instrumento de ação ilegítima de setores políticos em específico.

A luta por democracia na USP queremos fazer com milhares!

Gestão Não Vou Me Adaptar! – DCE-Livre da USP

 

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