Repúdio à repressão da PM: a culpa é de Alckmin e Rodas!

16 de outubro de 2013, 04:01

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O dia 15 de outubro de 2013 ficará marcado como mais um dia de brutal violência e repressão policial contra manifestantes no Brasil. Em todo país, atos foram realizados em defesa da educação, e duramente reprimidos. No Rio de janeiro foram mais de 200 detidos.

Em São Paulo, em especial, mais uma vez a USP escreveu um capítulo lamentável em sua história. Como tem sido comum no período recente, a reitoria e o governo do estado trataram a educação como caso de polícia. A manifestação construída pelo DCE da USP (em conjunto com DCEs de outras faculdades, professores, movimentos sociais, cursinhos populares e muitos ativistas) foi brutalmente reprimida pela Polícia Militar, que encurralou os manifestantes assim que estes ocuparam a Marginal Pinheiros. As cenas que se seguiram foram dignas dos piores momentos presenciados no mês de junho. É um absurdo que tal prática desproporcional e criminosa, por parte do governo e da PM, volte a ser tida como natural na sociedade. O direito à manifestação é legítimo e não pode ser cerceado.

A manifestação saiu às 18h do Largo da Batata. O objetivo do movimento era chegar ao Palácio dos Bandeirantes, em que exigiríamos que uma comissão de estudantes fosse recebida pelo governador Geraldo Alckmin.

O ato aconteceu nos marcos de mais um dia vitorioso para o movimento estudantil: ontem, a reitoria da USP havia recorrido à decisão judicial que indeferia o pedido de reintegração de posse do prédio da reitoria e, pela segunda vez, foi derrotada: a Justiça determinou um longo prazo de 60 dias para que a desocupação seja realizada, apontando, mais uma vez, a necessidade do dialogo e da negociação, como há semanas reivindicam os estudantes.

A manifestação teve uma organização muito clara. O objetivo, desde o início, era o de realizar uma passeata pacífica, que demonstrasse sua radicalidade de maneira democrática, parando as principais vias da cidade e chegando até o Palácio dos Bandeirantes. Por isso, deixamos claro: a repressão partiu por parte da Polícia Militar e de seu chefe, Alckmin. A PM agiu de maneira premeditada, utilizando a força bruta e desproporcional. Tamanho foi o absurdo que 56 estudantes foram presos de modo arbitrário (muitos deles, diretores do DCE), sem que absolutamente nenhuma prova existisse contra eles. O DCE, ao lado de advogados, esteve na delegacia. No momento, todos os estudantes já estão libertos. Não admitiremos essa tentativa de intimidação e criminalização do movimento.

O grande responsável pelo cenário de conflito político de hoje, ao lado de Alckmin, é João Grandino Rodas, reitor da USP. Perguntamos: a quem interessa a intransigência de Rodas? Como pode o reitor da maior universidade do país não receber os estudantes, mesmo que a Justiça tenha determinado a necessidade de tal diálogo? Onde quer chegar a reitoria com isso?

Hoje, a postura de Rodas é truculenta, autoritária e irresponsável. O reitor da USP prefere assistir ao acirramento dos conflitos na universidade a resolvê-los de maneira politicamente negociada, como querem os estudantes. Tal situação não pode seguir da atual maneira. As negociações devem ser imediatamente abertas e as pautas estudantis atendidas. O DCE, que tantas vezes já buscou essa alternativa, mais uma vez faz a exigência pública à reitoria e, ao mesmo tempo, conclama o conjunto da sociedade e nos apoiar: negocie, Rodas!

Deixamos claro: as bombas de gás, a repressão policial e mesmo a prisão de nossos colegas não poderão intimidar nossa luta. A mobilização dos estudantes da USP é clara: queremos democracia, eleições diretas para reitor e todas nossas pautas decididas em assembleia. Nosso método é a mobilização democrática e a busca do diálogo. É por isso que, hoje, mais de 30 cursos da universidade estão em greve, milhares de estudantes têm ido a assembleias e atos e a ocupação da reitoria da USP segue como um espaço vivo e dinâmico. À truculência e ao autoritarismo, responderemos com mais e mais mobilização. E amanhã será maior.

Todos à Assembleia Geral dos Estudantes da USP, hoje, 16/10, às 18h em frente à reitoria. Democracia na USP já!

DCE-Livre da USP – Alexandre Vannucchi Leme

 

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