Após pressão, reitoria começa a ceder – informativo 3 da negociação

29 de outubro de 2013, 17:11

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Aconteceu hoje nova reunião de negociação entre os representantes da reitoria, designados pela portaria 1056 de Rodas, e a Comissão de Negociação Estudantil.

A terceira reunião aconteceu em um cenário de forte pressão dos estudantes. No último período, nosso movimento teve avanços. Desde o início, a greve se massificou e obteve apoio na universidade e na sociedade. Por duas vezes, a Justiça reconheceu a legitimidade de nossa mobilização, indeferindo os pedidos de reintegração de posse feitos sucessivamente pela reitoria. Por fim, os estudantes conseguiram obrigar a universidade a abrir um processo de negociação interno, admitindo a legitimidade das pautas estudantis.

Hoje, novamente, os estudantes se mobilizaram. Pela manhã, foram realizados trançacos em diversos portões da USP, em particular no campus Butantã. A reivindicação dos estudantes era clara: Rodas deve atender às pautas estudantis e não enrolar os estudantes na negociação.

Diante deste histórico, finalmente a universidade, começou a ceder em algumas reivindicações dos estudantes. Em outras, permaneceu intransigente ou evasiva no apontamento de soluções. De maneira sucinta, destacam-se neste informe os avanços (ou ausência deles) obtidos em torno de quatro pontos:

1) Democracia – Após grande pressão, a reitoria está prestes a ceder em um ponto fundamental da pauta estudantil: a realização de uma estatuinte livre, autônoma e democrática em 2014. Os estudantes seguirão pressionando para que tal processo seja determinado pela participação paritária de estudantes, professores e funcionários, de forma democrática, e não realizado somente pela burocracia universitária. Em relação às eleições diretas para reitor já em 2013, a universidade, até então, segue intransigente e não apresentou nenhuma solução para que o pleito eleitoral ocorra com mais participação da comunidade universitária.

2) Permanência estudantil – Como resultado da luta história de muitas gerações e também da pressão atual de nosso movimento, há possibilidade real de conquistas em torno da permanência estudantil, sobretudo em relação à devolução dos blocos K e L para moradia e da sede do DCE e da APG para a gestão autônoma das entidades. Os estudantes seguirão pressionando para o atendimento de demais reivindicações de grande importância, como aquelas ligadas aos bandejões, aos campi do interior e ao transporte público nos campi com definições de prazos e exigência de comissões paritárias para acompanhar e garantir a execução de nossas demandas.

3) Punição e repressão – Está claro que os estudantes não sairão de greve e da ocupação da reitoria caso não haja garantia de não punição e perseguição política aos manifestantes. A proposta apresentada e de que o DCE da USP arcará com os eventuais prejuízos materiais causados pelo movimento, que, democrático, legítimo e político, não deverá ser punido pela universidade. Com relação aos processos que já estão em curso contra estudantes e trabalhadores e a reintegração dos estudantes eliminados, foi apresentada proposta de que sejarevertida a situação por uma portaria da reitoria. Seguirá a pressão para que a universidade se comprometa com o fim do Convênio entre USP e PM.

4) Cancelamento do semestre letivo – O termo elaborado pela universidade, que garante o não cancelamento do semestre letivo, já foi aprovado em assembleia geral estudantil, e portanto será necessariamente incluído num futuro termo de acordo, garantindo que as aulas perdidas pela greve serão repostas.

Por fim, cabe o informe significativamente positivo acerca do Núcleo de Consciência Negra. Foi apresentado hoje, pela reitoria, documento publicizado em 25/10/2013, em que a vitória do movimento é categórica: está garantido que o atual espaço do NCN não será demolido por conta das reformas que acontecem em seu entorno! Seguindo este exemplo, a reivindicação estudantil é de que o mesmo compromisso seja firmado acerca do espaço atual do SINTUSP e o conjunto dos espaços estudantis, como os espaços do CALC (ECA), CAASO (São Carlos) e todos os demais.

Dessa maneira, fica claro: nossa mobilização tem surtido efeito. Como há tempos não se vê na USP, nosso movimento tem a possibilidade real de se encerrar com conquistas substanciais. Ainda não há nenhuma garantia e, por não confiarmos na reitoria, sabemos que o momento é de nos manter mobilizados e ocupando a reitoria. As garantias só poderão existir a partir de um termo de acordo por escrito, que contemple as pautas estudantis e seja submetido à assembleia.

Uma nova reunião de negociação foi marcada para esta quinta-feira (31), às 10h. Por conta disso, a assembleia geral de quinta-feira, às 17h, terá um caráter decisivo. Não deixe de estar presente e de discutir, com todos os estudantes, os rumos de nossa mobilização!

 

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