60 Diretores querem dar golpe contra Eleições Diretas na USP

24 de setembro de 2013, 10:44

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No mês de junho, “o povo acordou”. A juventude saiu às ruas e se tornou definitivamente um ator político que pode transformar a sociedade.

Com medo disso, Rodas, anunciou que iria “democratizar” a USP, mudando a maneira como os Reitores e Diretores de Unidade são eleitos. O Reitor sabe que, se a indignação democrática que explodiu nas ruas contra 20 centavos explodir na USP contra a atual maneira como os reitores são eleitos, ele estará em maus lençóis.

Entretanto, menos de 2 meses depois, mais de 60 Diretores de Faculdade, com apoio de Rodas, estão propondo uma manobra para impedir as eleições diretas na USP. No último dia 04 de setembro, aconteceu, de portas fechadas, uma reunião na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a partir da qual foi elaborado um um documento, hoje assinado por mais de 60 Diretores da USP.

Nele, a proposta de eleições diretas já é rechaçada (Resolução 8: “Não houve aprovação da proposta de eleição direta do Reitor e Vice-Reitor”). Em alternativa, os Diretores propõem medidas completamente paliativas e mantêm a prerrogativa do Governador do Estado de nomear os reitores da USP a partir da “lista tríplice”. A única proposta para ampliar a participação nas eleições seria uma “consulta” à comunidade universitária anterior às eleições, sem nenhuma validade real. Imagine se, para prefeito, governador ou presidente, nosso único direito fosse o de ser “consultado” sobre os candidatos, sem realmente poder decidir. Para os diretores da USP, como hoje definido no artigo 36 do estatuto da Universidade, os reitores devem seguir sendo eleitos por menos de 3% dos membros da USP (na prática, quase somente pelos próprios diretores e seus aliados).

A USP tem que reconhecer a proposta dos estudantes por Diretas Já!

Essa articulação entre Diretores, na prática, acontece em oposição e para derrotar o que defende a ampla maioria dos estudantes e da comunidade universitária. Como é possível que a maior e melhor Universidade do país ainda não tenha eleições diretas? Quem tem medo disso? Por que manter a ingerência do Governador na USP?

No último dia 20/09 (dentro do prazo estipulado pela universidade), o DCE, em conjunto com a APG, protocolou na reitoria da USP a proposta oficial dos estudantes para as eleições para reitor. Exigimos nada menos do que as eleições diretas já, com peso paritário do voto e o fim da lista tríplice. Essa proposta é defendida há anos pelos estudantes, tendo sido aprovada em Congressos, Assembleias, Conselhos de Centros Acadêmicos e ratificada por Plebiscito Oficial realizado em outubro de 2012, em que 4591 estudantes participaram, dos quais 92,7% foram favoráveis à proposta. Em resoluções congressuais, SINTUSP e ADUSP defendem, também, de diferentes modos, a eleição direta na USP.

Como pode, agora, os Diretores de Faculdade e a Reitoria quererem passar por cima disso? Como podem, mais uma vez, planejar um golpe contra a grande maioria da Universidade, simplesmente para manter seu próprio poder? A falta de democracia é tão grande que o próprio processo para decidir como os reitores da USP serão eleitos acontece de maneira completamente fechada, com base no conchavo e sem a participação democrática do conjunto da universidade. A proposta oficial dos estudantes, por exemplo, ainda não foi ainda publicizada no “Portal da Democracia da USP” (democracia.usp.br). A reitoria, também, ainda não respondeu o ofício dos estudantes a respeito da exigência de que o Conselho Universitário de 1º de outubro seja aberto a todos.

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Só a mobilização pode conquistar diretas!

Está na cara: só a mobilização dos estudantes, professores e funcionários pode conquistar diretas já na USP. Em junho, se a opção do movimento fosse a de “negociar” com Haddad e Alckmin, não teríamos baixado a tarifa. Só a mobilização direta pode trazer conquistas. Por isso, o DCE convoca: no dia 1º de outubro, precisamos fazer um dia D por eleições diretas já na USP. Só com muitos estudantes, com luta e pressão, podemos conseguir. Na última assembleia de estudantes foi deliberado um DIA DE GREVE GERAL ESTUDANTIL em 1º de outubro. Será um dia extraordinário na história da Universidade, e assim devemos nos comportar também como estudantes. Há possibilidade de que professores e funcionários paralisem igualmente paralisem suas atividades. O ato, às 13h em frente à reitoria (construído por DCE, ADUSP, SINTUSP e APG) deve ser nosso grande momento de demonstração de força. Com um recado claro: Eleições Diretas na USP e Estatuinte para mudar a estrutura de poder.

Se o estudante não votar, se o estudante não for ouvido, A USP VAI PARAR!

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