Pela revogação do aumento e contra a truculência policial, todos ao Largo da Batata no dia 17/06

15 de junho de 2013, 14:23

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1968, rua Maria Antônia. No auge da ditadura militar, estudantes da USP que lutavam por democracia enfrentam a força repressora da polícia e de forças leais à ditadura em um dos conflitos mais sangrentos do período. Em pleno 13 de junho de 2013 é impossível não se lembrar daquele episódio. Foi novamente em pleno centro de São Paulo (inclusive na mesma Maria Antônia) que cerca de 15 mil pessoas, muitas delas nossos colegas, foram violentamente reprimidas por se manifestar contra o aumento das tarifas de ônibus e metrô.

Desde o início da semana, por ordem explícita dos governos do PT e PSDB, a polícia prometia engrossar a já violenta repressão aos atos contra o aumento. O próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o governo federal estaria a disposição para contribuir com a repressão em São Paulo. Promessa cumprida. Antes mesmo que o ato começasse, dezenas já haviam sido presos apenas por portar máscaras e vinagre – itens que ajudam a amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo. Mais tarde, enquanto o ato se concentrava na praça Roosevelt e organizadores negociavam com a polícia a continuidade do trajeto, a tropa de choque iniciou de surpresa o seu ataque gratuito ao ato que caminhava de forma completamente pacífica. A partir deste momento, a maior capital do país assistiu a um dos mais violentos episódios de repressão política desde a abertura democrática, que deixou como saldo de 230 presos (sem qualquer justificativa legal) e cerca de 100 feridos. Dentre os presos, três estudantes da USP permaneceram mais de um dia detidos. Além dos danos físicos e morais, o episódio assusta pelo uso indiscriminado da força policial para fins políticos utilizada pelos governos, algo avesso ao que diz a Constituição e impensável para um país democrático.

No entanto, felizmente, o grande protagonista da noite não foi a polícia. Foram os 15 mil que com coragem e convicção enfrentaram todas as ameaças e foram para as ruas lutar por um transporte justo. Além deles, outros milhares se manifestavam pela mesma causa em outras seis capitais do Brasil no mesmo dia. Mais do que simplesmente barrar um aumento de 20 centavos no preço da passagem – algo que nem de longe deve ser menosprezado, posto que ele significa uma perda significativa para a renda das classes mais pobres que dependem do transporte público – essas pessoas lutam pelos direitos da população. O direito de se locomover, o direito à cidade e a todos os seus equipamentos de saúde, cultura e educação, algo impossível quando se tem uma tarifa desse valor. O Ministério Público já discute entrar com uma ação exigindo a revogação temporária do aumento da tarifa. Isso demonstra que é possível uma vitória de grande proporção para o povo de São Paulo com a continuidade dos atos.

Assim como nas lutas pela democracia durante o período da ditadura militar, a participação dos estudantes, funcionários e professores da USP durante a manifestação foi exemplar. Éramos centenas construindo e fortalecendo o ato. Que a USP siga depositando toda sua energia neste processo é de fundamental importância para seu sucesso.

Por isso, convidamos todos os estudantes, assim como professores e funcionários, a paralisarem suas atividades nesta segunda-feira, 17 de junho, a partir das 16h para que possamos nos incorporar ao quinto ato contra o aumento da tarifa com concentração no Largo da Batata a partir das 17h. A comunidade da USP possui a responsabilidade de se juntar a essa luta pelo direito ao transporte, à livre manifestação e pela democracia!

ato passagem

 

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