Carta de reivindicação dos estudantes de São Carlos em relação aos ônibus área 1- área 2.

25 de abril de 2013, 10:53

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Campus universitário e transporte enquanto um direito 

Há alguns anos os estudantes do campus da USP de São Carlos enfrentam um problema recorrente de transporte entre as áreas 1 e 2 do campus de São Carlos. Contudo neste ano, esse problema tem se agravado. O serviço de transporte não tem atendido a demanda de usuários. Temos superlotação de ônibus, a ponto de alguns estudantes ficarem fora do veículo, horários inflexíveis e já não condizem mais com a realidade dos estudantes. No entanto, é possível observar que mesmo com essa demanda alguns ônibus ficam ociosos na garagem da prefeitura do campus. Vale ressaltar que o tráfego de dois veículos com superlotação precariza o serviço e as condições de trabalho dos motoristas, além de aumentar o custo de manutenção e os riscos à segurança dos motoristas e usuários. Todavia algumas medidas paliativas, por exemplo, aumentar a frequência dos ônibus, tem ajudado a enfrentar o problema ainda que parcialmente. É importante ressaltar que essas mediadas ainda que essenciais não resolvem a problemática em si, uma vez que a tendência é que com o decorrer dos anos cada vez mais estudantes se dirijam a área 2.

Fazemos questão de denominar como área 2, pois ainda não conta, por exemplo, com Unidade Básica de Saúde (UBAS), prefeitura do campus, caixa eletrônico, xerox, serviço de graduação, moradia estudantil, papelaria, além dos horários de atendimento da biblioteca e da restaurante (que não abre à noite) serem restritos dentre outras condições essenciais para a plena vivencia acadêmica, bem como a moradia no entorno ainda é dificultada pela infraestrutura precária; Por isso, apesar de uma melhora relativa na estrutura dessa segunda área ao longo dos anos, não se pode afirmar que de fato seja um Campus, pois quem o frequenta é dependente do campus 1. Durante a greve de 2007, os estudantes incorporaram dentre suas reivindicações a questão da área 2. Isso impulsionou as melhorias identificadas hoje, mas a criação de espaço de vivência (como centro esportivo), alojamentos dentre outras medidas, também defendidas na época, ainda não se concretizaram.

Posto esse cenário fica evidente a necessidade dos estudantes: o transporte gratuito entre as duas áreas mantido pela USP. Esta é uma condição fundamental para que a USP enquanto uma universidade pública garanta os preceitos de permanência estudantil.

A ilusão da terceirização 

Infelizmente, a política da USP diante desse tipo de problema é apontar a terceirização dos serviços para empresas privadas como a solução ideal. A proposta que está sendo discutida na Prefeitura do Campus é de estabelecer um convênio com a empresa Athenas Paulista, responsável pelo transporte municipal na cidade, no qual seria oferecido uma linha especial para substituir o serviço hoje prestado pela USP. A linha também atenderia a população são carlense, mas a gratuidade só seria assegurada para os estudantes da USP. Mas o que está por trás disso tudo?

O CAASO vem construindo um movimento em defesa do transporte público na cidade onde são evidentes grandes problemas com a Athenas Paulistana. Vale pontuar aqui a reputação duvidosa dessa empresa, com diversos processos pela má qualidade do serviço oferecido, ônibus precarizados que ultrapassam o limite de vida útil permitido pelo contrato, tarifas que não condizem com o serviço prestado, ônibus superlotados dentre outros problemas. Assim fica fácil perceber que não há garantias que a qualidade de nosso transporte será aumentada com a terceirização, com possibilidades de até mesmo piorar o serviço já prestado.

Há a justificativa do ganho financeiro pela terceirização, contudo já há uma infra-estrutura existente, o que aconteceria com ela? A proposta de terceirização não é apenas para o serviço, mas também para os problemas, em especial os alunos se mobilizando. Esses problemas já tem sido enfrentados em São Paulo, onde um convênio semelhante foi estabelecido, e os problemas no transporte persistiram, os alunos se mobilizam, mas tem que discutir com a empresa e não com a universidade. Outro ponto importante nessa discussão é que nada nos assegura que esse serviço nos será fornecido gratuitamente sempre. Primeiro temos que lembrar que este ano vence de contrato da prefeitura de São Carlos com a Athenas Paulista, e nada garante que haverá renovação. Outro ponto fundamental é que com os diversos problemas da Athenas Paulista e ações no Ministério Público esse contrato seria facilmente rompido pela USP. Desta forma os estudantes teriam que pagar R$2,70 por cada viagem, ignorando a política de permanência estudantil. Isto vai contra todos nós, uma vez que está acontecendo uma gradual migração dos institutos e cursos para a área 2. E como já mostramos a área 2 é totalmente dependente da área 1. Nesta situação ficaríamos reféns da tarifa.

O momento é fundamental. É preciso que nos organizemos e entendamos o que representa a terceirização de tal serviço. Aceitarmos calados tal processo é deixarmos para trás uma conquista dos estudantes, que só conseguiremos retomar um dia a duras penas. Mais que isso, é o momento de avançarmos na discussão da terceirização e seus efeitos nefastos para a universidade pública.

Diante disso tudo fica evidente que a expansão priorizada pela universidade é a do número de vagas e cursos e não necessariamente com investimento na qualidade, colocando em dúvida o papel que a universidade deve cumprir na sociedade. Estar atento, apontar as falhas nesse processo e lutar pela garantia dos direitos dos estudantes, de toda a comunidade USP e da população em geral é fundamental para que essa expansão seja no sentido de tornar a universidade verdadeiramente pública, aberta e democrática.

Nesse sentido apresentamos as seguintes reivindicações:

– Não a terceirização do serviço de ônibus e ao acordo com a Athenas Paulista.
– Manutenção e melhoria do serviço de transporte prestado pela USP
– Contratação de mais funcionários para a prestação do serviço;
– Aumento da frequência dos ônibus;
– Que os onibus parados entrem em circulação quando outros veículos estiverem lotados;
– Mais horários de ônibus, já que os atuais são insuficientes;
– Mais ônibus durante os horários de pico (7h30-8h15; 14h00; 18h30)

Assinam essa carta:

CAASO- Centro Acadêmico Armando de Sales Oliveira

DCE- Livre da USP- Alexandre Vanuchi Leme

Saecomp- Secretaria Acadêmica da Engenharia de Computação

Saero- Secretaria Acadêmica da Engenharia Aeronáutica

SAPA – Secretaria Academica Pró-Ambiental

 

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