Nota de Repúdio ao Trote Racista e Machista na UFMG

25 de março de 2013, 14:24

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O trote universitário é um dos rituais mais marcantes na vida de universitários e tal evento pode (e deve) ser o mais divertido e agradável possível. Trata-se de um momento de comemoração, entusiasmo e renovação universitária no qual os ingressantes são convidados a participar (muitas vezes sem grandes possibilidades de recusas) de “brincadeiras” que expressam, muitas vezes, o caráter conservador de alguns grupos universitários. Conservadorismo maquiado de tradição.

Nós, estudantes brasileiros, ainda vivemos em um país racista. Não é um país apenas preconceituoso. É um país racista. Grande exemplo desta triste realidade é o fato ocorrido na Faculdade de Direito da UFMG no começo da última semana: uma ingressante com seu corpo pintado de tinta preta, pulsos acorrentados e uma placa indicando seu título recebido no trote… “Caloura Chica da Silva”. Seu veterano apresenta satisfação segurando as correntes enquanto pousa pra foto.

Nós do DCE Livre da USP repudiamos qualquer tipo de trote opressor como foi este da Faculdade de Direito da UFMG e lutamos muito contra o RACISMO que ainda corrói nossas relações em sociedade. Nas universidades devemos aprender e nos esforçar muito para integrar nossos ingressantes de modo saudável e inteligente. Temos potencial para tanto, não o desprezemos.

Francisca da Silva de Oliveira faz parte da história da cultura brasileira como um símbolo de liberdade e transgressão à realidade cruel que lhe foi imposta (a escravidão negra). Sua imagem não pode ser utilizada para humilhar o povo negro que ainda tanto luta e resiste e sua memória não deve servir para enaltecer uma prática tão cruel como a escravidão. A chamada “brincadeira” é OPRESSÃO e seus “organizadores” são, no mínimo, equivocados. Estes sim merecem ser julgados e punidos por uma universidade que se propoem a ser séria e democrática.

O DCE Livre da USP é contra o RACISMO, contra trotes opressivos e a favor de comunidades acadêmicas cada vez mais plurais, politizadas e conscientes.
Abaixo a opressão, Viva Chica da Silva! Racismo não tem graça.

 

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