Contra a violência homofóbica, quem não se posiciona é conivente

06 de dezembro de 2012, 21:31

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“Não escondo minha sexualidade e nunca achei que isso fosse um problema para levar minha vida normalmente. Já me jogaram latinha de cerveja quando ficava com alguém. Essas condutas são reiteradas sempre, mas nunca foi nesse nível. Exatamente por isso que não consigo me conformar de que minha obrigação quanto gay é ouvir ofensas e seguir meu caminho” André Baliera, estudante de direito da USP, em entrevista ao Estadão

Na noite desta segunda-feira (03/12), o estudante da Faculdade de Direito da USP André Baliera caminhava pela avenida Henrique Schaumann quando foi surpreendido por xingamentos e ofensas homofóbicas por parte de dois jovens dentro de um carro. Ao responder à agressão verbal, os dois jovens, Diego Mosca Lorena de Souza e Bruno Paulossi Portieri, saíram do carro e começaram a bater em André. O espancamento só terminou quando a Polícia Militar(PM) interveio; os dois jovens foram presos e indiciados por tentativa de homicídio.

O que aconteceu com André é a realidade do Brasil com apenas uma diferença: André sobreviveu à agressão homofóbica. A cada 36 horas, isto é, menos que dois dias, um LGBT é assassinado em nosso país. Com 266 assassinatos no ano de 2011, o Brasil segue campeão mundial no número de assassinatos de LGBTs ao passo que políticas nacionais efetivas de combate à homofobia e de afirmação e incentivo da diversidade sexual, na melhor das hipóteses, ou engatinham ou inexistem. Na pior e na realidade: são vetadas pelo governo federal em troca da manutenção do apoio da bancada conservadora no Congresso. As reivindicações do movimento LGBT, como a criminalização da homofobia, a aplicação do kit escola sem homofobia e o casamento civil igualitário, são desprezadas pelo governo Dilma, evidenciando o descaso a uma questão que oprime muitxs cotidianamente.

De acordo com a própria PM, “não há indícios de prática homofóbica” no caso de André. A inexistência de uma lei que tipifique e criminalize a homofobia dá margem para esse tipo de aberração. O DCE Livre da USP presta sua total solidariedade a André e afirma: estamos ao lado de todxs que lutam contra a homofobia e pela livre identidade de gênero e orientação sexual. Chamamos atenção para a não culpabilização da vítima: os únicos responsáveis por essa situação são os dois agressores homofóbicos e uma sociedade que legitima esse tipo de comportamento.

Não deslocando o caso de André da rotina de agressões verbais e físicas de muitos estudantes dentro de nossa universidade, ressaltamos o caráter transversal das pautas de opressões e a extrema necessidade de nos apropriarmos da pauta LGBT em todas as discussões que fazemos na universidade. Em especial, reiteramos: não aceitaremos uma política de segurança no campus que aposta na PM, tradicional inimiga da população LGBT, principalmente de travestis e transexuais, como a principal e única saída para a USP!

Cobramos da USP, na figura da reitoria de João Grandino Rodas, políticas efetivas de prevenção e de combate à homofobia no campus, bem como de afirmação da diversidade sexual e de identidade de gênero. A título de exemplo, é de extrema necessidade uma política de permanência estudantil para travestis e transexuais, vítimas de transfobia na universidade e muitas vezes incapazes de seguir seus estudos devido à dificuldade de encontrar emprego e, portanto, de se sustentar na universidade. Enquanto uma instituição de ensino, cujo papel é refletir criticamente sobre a sociedade e propor soluções para seus conflitos, afirmamos: contra a violência homofóbica, quem não se posiciona, é conivente com essa matança que o Brasil vivencia.

“Apanhou de besta porque se tivesse seguido o caminho dele, não teria apanhado”, disse um dos agressores homofóbicos. Nós respondemos: lutaremos até que cada um possa seguir livremente o caminho que quiser, sem ser humilhadx ou agredidx por sua orientação sexual, gênero, raça ou sexo!

MACHISTAS E HOMOFÓBICOS: NÃO PASSARÃO!

Churrascão das cabras contra a homofobia
Sábado – 8/12 – às 15h na avenida Henrique Schaumann

 

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