As eleições para diretor da FFLCH mostram que é preciso democratizar a USP

07 de setembro de 2012, 19:00

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Neste mês de setembro acontecerão as eleições para diretor da FFLCH. O processo virá acompanhado de debate oficiais da Faculdade e uma consulta online sobre quem deve ser o próximo nome a frente da FFLCH nos próximos quatro anos.
Acreditamos que este deve ser um momento fundamental de debate dentro da unidade porque por ele passa a discussão de qual deve ser o modelo de universidade que defendemos. Nos últimos anos, a reitoria tem cerceado a autonomia universitária ameaçando o caráter democrático que acreditamos ser essencial para uma universidade pública. Os crescentes conflitos em torno da questão da segurança nos campi, a repressão aos movimentos sociais da universidade, o fechamento de espaços estudantis e a proibição de venda de bebidas alcoólicas são exemplos de uma universidade que fecha os olhos e ouvidos aos milhares que a constroem cotidianamente. Essa postura antidemocrática ressoa nas unidades e, em especial, na FFLCH. A diretoria da unidade não deve seguir sendo encarada como um cargo puramente administrativo que ignora a diversidade contida nos diferentes cursos e departamentos. Ela deve prezar pelo papel histórico que carrega a Faculdade, pelo debate democrático de ideias e, principalmente, pela produção de conhecimento crítico, como é papel das ciências humanas.
As eleições para a direção da faculdade, assim como na escolha do reitor, se dá de uma maneira restrita e antidemocrática. Em 2008, o colégio eleitoral era de 150 pessoas em um universo de 15.000. Ou seja, aqueles que escolheram a atual diretora da FFLCH representam apenas 1% da comunidade. Acreditamos, assim como resolveu o XI Congresso de Estudantes da USP, que para democratizar a nossa universidade é necessário democratizarmos as instâncias de decisão da USP, o que passa por exigirmos eleições diretas para diretores de unidade. Achamos imprescindível que a voz das dezenas de milhares de estudantes, funcionários e professores da Faculdade sejam ouvidas.
Por essa razão, a escolha para as diretorias de unidade não são de importância menor. Ainda mais no cenário atual da USP, a atual diretora da FFLCH, Sandra Nitrini, é a diretora da unidade que tem mais estudante sendo processado pela reitoria e não se pronunciou sobre isso, é a diretoria que segue o exemplo da falta de democracia deixando o curso de Letras com falta crônica de espaços e professores, o de História correndo o risco de terem disciplinas fechadas por falta de docentes, ignorando reivindicações históricas dos estudantes. São as pró-aluno da FFLCH que quase sempre estão sem impressão por falta de papel. É essa diretoria que quer agora, às pressas, construir sua restritíssima eleição para diretor, cuja palavra final é de Rodas, pois da eleição da Congregação saem três nomes a serem avaliados pelo reitor.
É um processo antidemocrático do início ao fim. Não decidimos e sequer sabemos quais são os posicionamentos de nossa diretora, como no último conselho universitário que debateu o tema das cotas na USP e a FFLCH não se posicionou, pois não havia discutido isso na Congregação. Não podemos admitir que os estudantes não conheçam as opiniões das diretorias de suas unidades! Queremos democracia na USP já, que os estudantes, professores e funcionários da FFLCH participem da eleição diretamente, que este processo não seja construído às pressas. Exigimos eleições paritárias para diretor já! Que nossa luta por democracia nas estruturas de poder da universidade comece pela eleição da diretoria da FFLCH!
Para discutir melhor este tema convidamos os estudantes a participarem da Plenária da FFLCH que vai ter sua data definida no próximo CCA da unidade. Além disso, convidamos todas e todos a participarem do debate que acontecerá no dia 11/09 com os candidatos a diretor às 18h na sala 101 da Sociais para debatermos a USP e a FFLCH que queremos.

 

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