Um relato do CO extraordinário

27 de junho de 2012, 10:49

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Na última terça-feira, 26 de junho, foi realizada, na sede da reitoria, a segunda sessão extraordinária do Conselho Universitário (CO). Convocado às pressas pela reitoria a cerca de duas semanas, as principais pautas em debate foram estrutura de poder e inclusão social através de cotas dentro da Universidade de São Paulo.

O chamado para esse CO extraordinário foi encarado com desconfiança e não é para menos. Durante os últimos meses, são várias as medidas truculentas e antidemocráticas que a reitoria da universidade tomou e que afetou tanto estudantes quanto professores e funcionários. Exemplo disso, são os inúmeros processos administrativos e criminais que foram instaurados na universidade neste ano, a eliminação de 8 estudantes do quadro da universidade no final do ano passado e várias mudanças dentro dos setores burocráticos sem a consulta da comunidade acadêmica e que centralizou ainda mais as grandes decisões nas mãos do reitor.

A principal proposta exposta no CO, feita pelo prof. Flávio Ulhoa Filho Coelho, foi em relação a pequenas mudanças feitas na realização da eleição para Reitor/Vice-Reitor e Diretor/Vice-Diretor. A lista tríplice a ser encaminhada para o Governador seria feita por um único Colégio Eleitoral: Assembléia Universitária (composta pelo CO, pelos conselhos centrais, pelas congregações das unidades e pelos conselhos deliberativos dos Museus e institutos especializados) e as candidaturas aconteceriam em chapas para Reitor/Vice-Reitor e chapas para Diretor/Vice-Diretor. Outra parte da proposta (que não constava no documento redigido e entregue aos conselheiros) consistia na escolha dos representantes discentes através de uma eleição realizada pela secretária geral da universidade.

A discussão em torno do tema pautava uma falsa democracia, devido a USP ser uma universidade pública, muitos conselheiros defenderam a escolha do reitor pelo Governador como a maneira mais democrática, já que este foi escolhido pela população e deveria representar todos os interesses da mesma. Argumentaram contra diretas para reitor alegando que a comunidade universitária não representa toda a população do estado de São Paulo. Posicionamento no mínimo irônico, assim como o CO não representa, a formação de uma possível Assembléia Universitária não representaria a comunidade acadêmica de maneira geral e muito menos a população que financia nossa universidade.

A resposta dos estudantes, funcionários e professores que ali estavam para defender uma estatuinte soberana e diretas para reitor, pautas históricas do movimento e eixos da mobilização do ano passado, foi única e clara: Não aceitaremos nenhum tipo de mudança que não seja discutida amplamente dentro da comunidade universitária, com audiências públicas das congregações e debates com estudantes, professores e funcionários de maneira que atinja o maior número possível de pessoas que constroem a história dessa universidade diariamente.

A pauta sobre estrutura de poder tomou quase todo o tempo da sessão, por conta disso, sobrou pouco tempo para a discussão sobre cotas, forçando o reitor a marcar um novo conselho extraordinário para o começo de agosto com as mesmas pautas discutidas na última sessão.
É preciso ressaltar que hoje a escolha dos estudantes, funcionários e professores associados para conselheiros do CO são realizadas da maneira democrática e legitima, tentar centralizar a escolha dos RD’s na secretária geral da universidade é uma afronta a campanha por democratização que tem mobilizado os estudantes no ultimo período.

Há muito tempo a comunidade acadêmica espera pelo voto direto e uma nova estatuinte, mas já percebemos que a reitoria foge desses temas se escondendo atrás de uma estrutura de poder anacrônica e retrograda e é por isso que só com muita mobilização através do XI Congresso que está sendo construído em serviço da #democracianausp é que conseguiremos vitórias reais. Esse é o momento dos estudantes e toda comunidade universitária indignada com as ações do reitor dizerem: Não! Este modelo de universidade não nos representa.

É por isso que o DCE convida tod@s a participarem da Reunião Ordinária, nesta sexta-feira, às 18h. Vamos debater: balanço do CO e próximos passos; proibição de álcool na universidade. Chamamos a ADUSP, Sintusp, RDs e CAs para participarem desta discussão.

Barbara Guimarães, estudante de Letras, representante discente no Conselho Universitário e diretora do DCE.

 

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