Revivamos o espírito de Stonewall; não vamos aceitar uma universidade opressora!

27 de junho de 2012, 15:24

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Em 28 de junho de 1969 a caça às bruxas promovidas pelos governos, as batidas policiais em bares gays (cujos donos eram mafiosos que lucravam com a marginalização das LGBTs) receberam uma resposta categórica vinda do bar Stonewall em Nova York: Não vamos mais baixar a cabeça, não viveremos mais no submundo!

Nesse dia as/os frequentadores se enfrentaram com a polícia, fizeram barricadas na rua, uma verdadeira revolta estava armada e foi potencializada com a organização das/os envolvidas/os. Chamaram uma marcha para o dia seguinte, rodaram panfletos durante a noite, juntaram forças com os panteras negras, os movimentos feminista e anti-imperialista. Estava formado o Gay Revolutionary Front. Esse espírito se espalhou pelo o mundo dando origem a organizações e marchas, que posteriormente foram cooptadas e perderam seu caráter de reivindicar o fim da violência e direitos.

Atualmente é preciso retomar esse histórico. A homofobia, que nos acompanhou durante toda a vida escolar, infelizmente ainda entra na universidade pela porta da frente e nos alcança durante as aulas, nos trabalhos, nas pesquisas, na moradia, no bandejão e nas festas. Até mesmo a QiB já foi palco dessa violência. Quando veio à tona o lamentável caso do jornal “O Parasita”, da Faculdade de Farmácia, aonde eram oferecidos convites para uma festa às/aos estudantes que “jogassem bosta em homossexuais”, o REItor da USP, João Grandino Rodas, disse que temia ser autoritário no combate a homofobia. Essa postura deplorável por parte da reitoria revela o despreparo para garantir o respeito à diversidade e o combate incansável da homofobia no campus e na sociedade.

No país campeão em número de mortes de LGBTs, cabe às universidades serem pioneiras no combate às opressões e reafirmarem uma universidade para todas e todos, popular, de negras e negros e LGBTs! Da mesma forma, é preciso que as pautas reivindicadas pelo movimento LGBT, a saber, a criminalização da homofobia, a retomada do programa escola sem-homofobia (cujo material, o kit anti-homofobia foi vetado pela presidenta Dilma) e o casamento civil igualitário, entre outras, sejam debatidas e encampadas pela comunidade USP.

Nesta data histórica, queremos que hoje seja diferente, não aceitaremos uma universidade opressora. Realizamos um beijaço como ato político deixando bem claro: não iremos nos esconder e aqueles que ousarem nos oprimir, é melhor que estejam avisados, esse é só o começo, nenhum caso de opressão será tolerado!

Hoje revivemos o espírito de Stonewall. Criminalização da homofobia já! Pela provação do texto original do PLC-122! Retomada do kit escola sem homofobia! Por uma política educacional de combate à homofobia! Pela imediata aprovação da PEC do casamento civil igualitário!

 

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