Esclarecimentos do DCE-Livre da USP sobre a atuação da PM em 27/10 e a ocupação do prédio da administração da FFLCH

29 de outubro de 2011, 15:32

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O DCE-Livre da USP, frente aos acontecimentos recentes no campus Butantã e à ocupação do prédio da administração da FFLCH, considera necessário vir a público manifestar alguns esclarecimentos e nossa posição:

1) Na última quinta-feira, 27 de outubro, a Polícia Militar protagonizou um lamentável episódio no prédio de História e Geografia da FFLCH-USP. Três estudantes, dentro de uma unidade da USP, foram abordados por policiais militares, revistados e ameaçados de serem conduzidos à delegacia. Este não foi um fato isolado dentro da universidade. Nas últimas semanas, desde a assinatura do convênio entre USP e Polícia Militar, têm sido frequentes abordagens nas entradas e saídas de prédios, a entrada de policiais em blocos didáticos sem justificativas e até mesmo a entrada de militares em entidades estudantis.

2) A Reitoria é responsável pela melhoria das condições de segurança nos campi. As intervenções por ela prometidas, no entanto, ainda não saíram do papel. O DCE é contra a concepção que iguala segurança à simples presença de PMs. Os lamentáveis episódios de violência da quinta-feira são consequência de tal concepção.

3) Logo após o ocorrido, cerca de 500 estudantes se reuniram em assembleia. Nela, a ocupação do prédio da administração da FFLCH foi apresentada como um instrumento de pressão para exigir a saída da polícia do campus. A posição da gestão do DCE, naquele espaço, foi a de que era preciso trazer mais estudantes para este debate e para a luta. Por isso, propusemos um calendário de atividades, a construção de um grande ato e uma nova assembleia onde mais estudantes poderiam tomar sua decisão, inclusive com relação a uma possível ocupação. Nossa posição, contrária à ocupação imediata, no entanto, foi derrotada por uma margem de 09 votos.

4) O DCE tem compromisso com os fóruns do movimento estudantil. Por isso, estivemos com o movimento em sua decisão. Entretanto, já nas primeiras horas, o DCE foi hostilizado por alguns estudantes, que, numa posição restrita e antidemocrática, impediu a participação da entidade representativa dos estudantes da USP nas comissões que organizam a ocupação.

5) Com relação aos estudantes submetidos à revista dos policiais, nossa posição foi a de acompanhá-los e apoiá-los, respeitando suas decisões. Após terem se reunido com advogados e a direção da FFLCH, obtiveram da diretora da Faculdade o compromisso de que não sofreriam nenhum processo administrativo. Por fim, por sua livre decisão e orientados por seus advogados, encaminharam-se à delegacia para assinar um termo de compromisso que consiste na doação de 1(uma) cesta básica para alguma entidade de caridade. Não há nenhuma outra consequência jurídica.

6) Para o DCE-Livre da USP, só será possível avançar caso a discussão sobre segurança no campus e a presença da PM seja feita com mais estudantes das diversas unidades. É necessário dar consequência política a este movimento. Do contrário, o isolamento não permitirá nenhuma conquista real para os estudantes da USP, mas sim desgastes, conflitos e enfraquecimento. Por isso, chamamos todas e todos para que se envolvam no processo, discutam com os estudantes de seus cursos e participem ativamente da construção de uma saída coletiva para o impasse que a reitoria tem criado em nossa universidade. Ser uma ferramenta na organização dessa luta sempre foi e sempre será nossa posição.

São Paulo, 29 de outubro de 2011
DCE-Livre da USP
Gestão “Todas as Vozes”

 

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