Ministro da Educação visita a USP

21 de setembro de 2011, 10:37

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 No último dia 14 de setembro, a Escola de Educação da USP realizou a abertura da semana de Educação, em homenagem aos 90 anos de Paulo Freire. O convidado desta palestra foi o ministro da Educação Fernando Haddad. O ministro foi recebido por muitos cartazes de estudantes que aproveitaram a ocasião para cobrar do representante do Governo Federal seu posicionamento sobre temas centrais hoje na educação nacional. Enquanto o ministro visitava a USP, estudantes dezenas de universidades federais mantinham-se em greve reivindicando melhores condições de estudo, infra-estrutura e permanência estudantil. Também @s funcionários das federais, quem há mais de 60 dias paralisados, sequer foram ouvidas pelo ministro do PT. Além disso, muitos cartazes eram incisivos ao cobrar: queremos 10% do PIB para a Educação, Já!

O Ministro falou por mais de duas horas, deixando pouquíssimo espaço para manifestações do plenário. Na verdade, Haddad utilizou a atividade como parte de seu calendário na cidade de São Paulo, onde pretende passar de um ilustre desconhecido a um candidato com potencial eleitoral. E, para tanto, monopolizou o tempo de fala, tentou impedir a leitura da carta de reivindicações construída por entidades estudantis da USP e decidiu não responder aos questionamentos d@s estudantes. Para ele, “restaurantes universitários, banheiros e papel higiênico” são luxo, coisa desnecessária. Aproveitou a oportunidade para defender o repasse de milhões de reais para instituições privadas e a política econômica do governo, que destina mais de 40% do orçamento federal para o pagamento de juros e amortizações. Também quis aproveitar a presença da imprensa para criticar os governos do PSDB, dizendo que FHC vetou a proposta de 7% do PIB para a educação. Só faltou dizer, é claro, que Lula, alguns anos depois, também vetaria a mesma proposta.

O DCE da USP esteve presente e junto aos estudantes e demais entidades da Universidade, perguntou ao ministro: o governo vai acatar a reivindicação da sociedade civil pelos 10% do PIB e melhorias na educação ou vai manter sua política de recursos para o sistema financeiro e migalhas para as políticas sociais? Sem nossa intervenção, e a depender dos ânimos do ministro, a homenagem à memória de Paulo Freire não passaria de uma prévia do palanque eleitoral para 2012. Já passou da hora dos Governos Federal e Estadual priorizarem a expansão da educação, mas com qualidade, com garantia de infra-estrutura, de permanência estudantil. Nosso exemplo é a luta d@s estudantes chilen@s, que exigem outro futuro, o fim dos lucros na educação e a estatização do sistema de ensino. No dia 15 de outubro, certamente, em diversas cidades brasileiras, vamos também dar o recado de que 10% do PIB para a educação é a exigência da juventude indignada brasileira.

 

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