Atos contra perseguição política na USP

28 de agosto de 2011, 23:26

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Convidamos a todas e todos participarem de dois atos contra os critérios políticos na seleção de permanência estudantil, especialmente no caso do estudante Rafael Alves.

Os dois atos serão em frente ao COSEAS (perto da entrada do Bandejão Central), ao meio-dia, nos dias 29 (terça) e 30 (quarta) de agosto de 2011.

Nota em relação a perseguição política na USP

Novamente verificamos a postura inadmissível da USP com sua comunidade. Rafael Alves, estudante reingressante do curso de Letras, participou do processo seletivo por uma vaga do CRUSP. Mesmo estando nos critérios estabelecidos pela COSEAS para conceder a permanência estudantil, teve sua vaga na moradia estudantil negada. Além disso, recebeu um mandato de reintegração de posse para que aconteça no próximo dia 30.

O processo é movido pela Universidade de São Paulo – USP a pedido da Coordenadoria de Serviço Social – COSEAS (responsável pelo CRUSP). No regulamento da moradia, diz que as listas do processo seletivo devem ser divulgadas: “A lista dos classificados, em numero compatível com a quantidade de vagas disponíveis no CRUSP, será divulgada em ordem alfabética, até o final do mês de maio, para imediata ocupação e a lista dos remanescentes será divulgada na ordem de classificação” (Artigo 7°, §1°), garantindo a lisura do processo. No entanto, desde 2006 isso não ocorre, prejudicando assim a transparência do processo, não sendo pública a informação de quantos estudantes conseguem as vagas por ano e nem quem são estas pessoas.

A perseguição política não é algo confessável à luz do dia, ao menos por enquanto. Em 2010, a COSEAS e a Reitoria instauraram diversos processos administrativos contra estudantes, por meio do Decreto nº 52.906, de 27 de março de 1972 (baixado durante a ditadura militar), no seu artigo 247 – “O Regime Disciplinar visa assegurar, manter e preservar a boa ordem, o respeito, os bons costumes e preceitos morais, de forma a garantir a harmônica convivência entre docentes e discentes e a disciplina indispensável às atividades universitárias”. Todos os processados são participantes do movimento estudantil. Em um documento anexo ao processo do Rafael, também integrante do movimento estudantil e ex-membro da AMORCRUSP – Associação de Moradores do CRUSP, Waldyr Antonio Jorge, coordenador da COSEAS, pede ao Procurador Geral da USP para acelerar a abertura dos processos administrativos “por se tratar de ex-aluno da USP invasor do prédio do serviço social (…)”, imputando-lhe, assim, um crime pelo qual nunca foi sequer julgado. Não há canais institucionais para a expressão de demandas do conjunto da comunidade universitária dentro da USP. Estamos sob uma estrutura de poder autoritária e centralizadora. Os que ousam atuar politicamente, apesar desse quadro, são perseguidos e criminalizados.

A quem interessa a perseguição política em nossa Universidade? Devemos tolerar o arbítrio e o autoritarismo? É justo que a burocracia jamais possa ser questionada, sob risco de punição para os que ousem fazê-lo? É moral e lícito que o aparato burocrático e os recursos de uma universidade pública sejam utilizados para realizar perseguições políticas? Tal expediente é aceitável se o objetivo for propiciar atingir objetivos ideológicos? Não podemos restar inertes diante das injustiças.

Abaixo-assinado em: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=crusp
Visite o blog: http://perseguicaopoliticanausp.blogspot.com/

PELA RETIRADA IMEDIATA DOS PROCESSOS CONTRA ESTUDANTES E TRABALHADORES!

NÃO A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS!

PELO FIM DA PERSEGUIÇÃO POLÍTICA!

São Paulo, 26 de agosto de 2011

DCE-Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme”

Sindicatos dos Trabalhadores da USP (SINTUSP)

 

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