E nos campi do interior? Descaso com assistência à saúde e permanência estudantil seguem presentes

23 de abril de 2011, 00:28

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As decisões tomadas pela reitoria da USP e pelo Conselho Universitário possuem relação direta com a realidade dos campi da USP no interior. Sabemos da gritante falta de estrutura nesses campi. Em Lorena, por exemplo, @s estudantes não podem contar com uma linha de ônibus circular, e em São Carlos e Ribeirão Preto ela é extremamente insuficiente. Em geral, observamos que o número de moradias oferecidas pela Universidade é muito inferior a demanda desses campi (em que a maioria dos estudantes é de fora da cidade). Ao mesmo tempo, a reitoria investe quantias milionárias em compra de imóveis em São Paulo (mais de 20 milhões) e reforma do Campus do Butantã (240 milhões). Tais investimentos, anunciados com alarde pelo reitor, não foram discutidos sequer pelo Conselho Universitário e sua finalidade ainda é pouco conhecida. A pergunta que fica é: por que a melhoria na estrutura dos campi do interior e garantia do direito à permanência estudantil não estão no plano de investimentos do reitor? Exigimos que estudantes, funcionári@s e professoras/es tenham maior participação nas definições do orçamento da reitoria, para que seus investimentos obedeçam ao critério das necessidades da comunidade universitária – não ao critério dos interesses do reitor. Mais absurda é a situação da saúde. Até recentemente, @s estudantes de Pirassununga e Ribeirão Preto tinham direito a um convênio médico gratuito garantido pela Universidade. Mas, por determinação do Tribunal de Contas do Estado, este convênio foi cortado, deixando divers@s estudantes sem garantia de acompanhamento médico daqui por diante. Medida semelhante foi adotada em Piracicaba e Bauru, e, embora tenha sido prorrogada, nada garante que o convênio não possa voltar a ser cancelado. O absurdo é que a reitoria sabia do possível cancelamento desde o início de sua gestão e nada fez para compensar a perda. Consideramos fundamental o direito do estudante à saúde de qualidade, e por isso reivindicamos maiores investimentos na área nos campi do interior! E se a falta de democracia e diálogo são a marca do atual reitor, certamente isso se reflete no interior. Em Ribeirão Preto a coordenadoria estuda a possibilidade de instalação de um Batalhão da Polícia Militar dentro do Campus (!) sem qualquer discussão aberta com a comunidade uspiana. Bem verdade que a situação da segurança neste e em outros Campi é de fato preocupante. Entretanto, a administração da Universidade não deve se isentar de sua responsabilidade com a questão. Deve ampliar as condições de iluminação e acesso do campus e melhorar o treinamento da guarda universitária. A implementação de um organismo militar no interior de uma Universidade fere gravemente o caráter do seu ambiente de livre discussão e pensamento. Além disso, transfere artificialmente a responsabilidade pelo problema a um órgão externo à USP, ferindo a sua autonomia universitária. Uma decisão tão importante quanto essa não pode ser tomada a portas fechadas!

 

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