Em defesa de uma USP pública e democrática, o DCE-Livre questiona: Quem tem medo de um Co aberto?

22 de março de 2011, 16:00

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Nos últimos meses, a direção da USP tem anunciado uma série de decisões que afetam profundamente nosso cotidiano e a qualidade das atividades desenvolvidas na universidade. Afinal, quem deveria tomar as decisões na USP?

USP em obras: a orientação é demolir prédios e… cursos?!

O reitor João Grandino Rodas tem anunciado sua disposição a promover uma verdadeira reforma na USP. Diminuição de vagas e encerramento de cursos considerados de “baixo impacto social” ou “econômico” estão em questão após a aprovação pelo Conselho Universitário (CO), em setembro de 2010, de “diretrizes” para a graduação. Estudantes e professores de vários cursos já começam a preocupar-se com as perspectivas nada animadoras para este ano.

Mas as reformas vão além dos cursos: a reitoria constituiu uma “comissão de demolição” (sim, este é o nome!) e estão sendo despejados vários núcleos de pesquisa, extensão, Centros Acadêmicos e espaços estudantis sem garantia de novas instalações para boa parte deles. Tudo isso para construir um centro de convenções, centro internacional para sediar órgãos externos à USP e — como não? — uma reforma de prédio para abrigar confortavelmente a própria reitoria. Rodas prometeu, em seu panfleto oficial USP Destaques, acabar com o “cortiço” e com “estruturas deprimentes” na USP. E, para tanto, pretende gastar R$ 240 milhões nos próximos anos. É certo que muitos lugares da USP precisam de reformas, mas onde deveria ser aplicada essa enorme quantidade de recursos públicos? Qual a prioridade? O reitor tomou a decisão e ninguém foi consultado!

O reitor também decidiu, nos primeiros dias de janeiro, demitir por e-mail 270 funcionários sem nenhuma justificativa, comprometendo a sobrevivência de centenas de famílias e atividades de importantes órgãos da USP. Ignorou o sindicato, dezenas de intelectuais e até uma determinação judicial que atesta a ilegalidade das demissões. Igualmente autoritária é a ameaça de expulsão e os processos a estudantes que se mobilizaram na USP em anos anteriores.

Quem decide? Afinal, quem tem medo de um Conselho Universitário (CO) aberto?

A USP é considerada uma das melhores universidades da América Latina. Como universidade pública, tem a obrigação de oferecer ensino gratuito, atividades de pesquisa e de extensão universitárias voltadas à sociedade. Entretanto, apesar de mantida pela sociedade, sua administração é uma verdadeira caixa-preta. Gastos questionáveis de dinheiro público, demissões em massa e perspectiva de extinção de vagas são decididas e a comunidade universitária é solenemente ignorada. Os acontecimentos recentes comprovam-no. Universidade pública não deveria ser democrática?

O Conselho Universitário (CO) é o órgão máximo de decisão na USP. Nele, estudantes, professores doutores (que são a maioria entre os docentes) e funcionários tem uma representação de cerca de 15%. Os outros 85% ficam com os professores titulares. Trata-se de um cargo político da carreira acadêmica ocupado por muitos diretores de unidade, chefes de departamento e diretores de fundações privadas que atuam na USP. Esta verdadeira burocracia é quem toma as decisões. Eles ocupam os cargos de mando. Eles também escolhem os novos a ocupar a mesma posição. A USP, universidade pública, não é sinônimo de democracia. Somos ignorados quando até a FIESP pode participar do CO! Tal estrutura de poder desrespeita até a própria legislação, que estabelece maior participação de estudantes e funcionários.

Exigimos democracia! O DCE-Livre considera fundamental ampliar a participação nos rumos da universidade. Quem, senão nós, são os maiores interessados em entender o que de fato significam as últimas medidas tomadas pelo reitor e pelo Conselho Universitário? Queremos uma reunião do CO aberta à participação da comunidade universitária. Uma campanha por democracia, com a mobilização das e dos estudantes, pode deixar claro que não aceitamos mais decisões a portas fechadas! Quem tem medo? Com a palavra, eles.

 

2 Responses to Em defesa de uma USP pública e democrática, o DCE-Livre questiona: Quem tem medo de um Co aberto?

  1. Tiago Aguiar disse:

    Concordo plenamente, mas pelo que eu pesquisei, as obras da prefeitura do campus não passam pelo CO.

  2. Henrique Marques disse:

    Sou de fora da USP e resolvi comentar pois o dinheiro também sai dos impostos que pago. A Assembléia Legislativa é fundamental nesse processo e a participação de funcionários, estudantes e docentes é necessária para a transparência do Co.
    Sucesso e boa sorte, amanhã!

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