Carta das/os estudantes de Licenciatura em Ciências da Natureza

30 de março de 2011, 20:14

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São Paulo, 23 de março de 2010.

Posicionamento quanto à reformulação dos cursos da USP Leste:

  1. Nos é claro a necessidade de serem feitas reformulações em projetos como a Escola de Artes, Ciências e Humanidades e seus cursos, sobretudo por ser sua criação tão recente e em fase de avaliação;
  2. Somos contra qualquer reformulação dos cursos da EACH num âmbito anti-democrático;
  3. Repudiamos qualquer direção que desvaloriza seus docentes, não os incluindo num processo de avaliação acerca do curso onde lecionam, e que menos ainda consideram a importância dos alunos nesse processo;
  4. Exigimos, portanto, a participação igualitária de todos os estudantes, professores e funcionários, para que a reformulação seja de fato democrática;
  5. Não toleramos intransigências e autoritarismos, nem qualquer tipo de decisão tomada com base em interesses pessoais, quando trata-se de um bem público, por isso exigimos clareza nos critérios de avaliação para reformulação;
  6. Questionamos criticamente a abertura de 360 vagas do curso de Licenciatura em Ciências através do consórcio UNIVESP — Universidade Virtual do Estado de São Paulo, que visa ampliar a formação de professores através do ensino semi-presencial. Sobretudo quando essa iniciativa soma-se à redução de 80 vagas do mesmo curso com aulas inteiramente presenciais;
  7. O ensino de ciências é essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade moderna. Há que se instigar desde a mais tenra infância a curiosidade para que o sujeito possa ter a opção de buscar explicações para os fenômenos da natureza sem ter como opção apenas as respostas do senso comum. As interações sociais proporcionadas pelo ambiente presencial não são substituíveis por “salas de bate-papo virtuais”.
  8. Discordamos de que os cursos de Obstetrícia e de Licenciatura em Ciências da Natureza não correspondem à uma demanda social, pelo contrário, sabemos que há a necessidade desses profissionais qualificados a lidar com desenvolvimento humano em diferentes esferas, além disso, no próprio ante-projeto de proposta de criação da UNIVESP, encontramos a seguinte afirmação: “Há no estado uma necessidade premente por uma melhor formação dos professores que atuam no ensino infantil, fundamental, médio, educação de jovens e adultos, e educação especial. Conforme levantamento das funções docentes realizada pelo INEP no ano de 2005, havia no estado de São Paulo por volta de 60 mil professores atuando nestes níveis e que possuíam apenas o Ensino Médio completo.”
  9. Discordamos que a Universidade de São Paulo, a pretexto de qualificar o ensino que oferece, ou manter sua qualidade, reduza o número de vagas de cursos que têm função social fundamental para a sociedade e desenvolvimento humano;
  10. Repudiamos argumentos segregadores, onde a qualidade dos alunos é medida pela nota de corte de seu curso, e a importância de um curso é determinada pela relação candidato/vaga;
  11. Repudiamos propostas que desvalorizem a licenciatura, em detrimento da supervalorização de cursos rentáveis ao mercado;
  12. Acreditamos que a redução de 80 vagas no curso de Licenciatura em Ciências da Natureza, incluso a supressão da turma da manhã, culminará no fechamento do curso, tendendo este a ser integrado ao curso de Licenciatura em Ciências semi-presencial, oferecido pela UNIVESP. A baixa procura é consequência de uma série de fatores externos e internos à Universidade, e poderá agravar-se com a redução de vagas;
  13. Antes de qualquer corte de vagas, exigimos medidas sérias que visem atrair candidatos, programas de divulgação, como por exemplo vinculados à secretaria de educação, de modo a promover a graduação de professores já em exercício que a desejem. Esses programas de divulgação poderiam ser de forma ampliada, para todos os cursos da EACH, e sem dúvida contariam com a participação de muitos alunos. Um bom exemplo à ser seguido é o Programa Embaixadores da USP;
  14. No entanto, sabemos que para que a carreira de professor volte a ser desejada é necessário mais do que ações internas à comunidade acadêmica, é condição imprescindível, que professores tenham salários justos, que valorizem o profissional, e mais do que isso, há que se repensar a reprodução da imagem do professorado como uma categoria responsável pelo fracasso da educação básica no país;
  15. Estamos mobilizados a resistir às propostas elaboradas pelo grupo de trabalho designado pelo diretor da EACH, Jorge Boueri!
  16. São essas propostas anti-democráticas que denigrem a imagem de uma UNIVERSIDADE PÚBLICA GRATUITA E DE QUALIDADE.

Discentes, e com orgulho, de Licenciatura em Ciências da Natureza (LCN)

 

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